No dia 20 de setembro, a coordenação da campanha “Mobilidade Ativa nas Eleições” entrou em contato por e-mail e redes sociais com todas as candidaturas presidenciáveis perguntando sobre suas propostas para a mobilidade ativa. Foram enviadas as seguintes perguntas:

“Quais são as suas propostas para:

– Incentivar deslocamentos por bicicleta e a pé nas cidades brasileiras?

– Reduzir as mortes no trânsito de cidades e rodovias brasileiras, especialmente de ciclistas e pedestres?”

Elas receberam como prazo o dia 26 de setembro. Após uma semana, apenas duas candidaturas responderam à coordenação da campanha: João Goulart Filho (PPL) e Guilherme Boulos (PSOL).

Confira abaixo as respostas, por ordem de envio.

 



João Goulart Filho

“Nossa prioridade os transportes nas cidades é o investimento no transporte público. Dentro disso, vemos com um dos desafios para melhorar a mobilidade urbana, a criação de metrôs nas grandes cidades brasileiras. Como esta é uma obra de grande interesse público e de custo alto, nosso governo propõe investimentos federais e a criação de uma empresa pública nacional para a construção de metrôs em todas as grandes cidades brasileiras. Como o adensamento das linhas de metrô, mais investimentos na melhoria dos transportes públicos, poderemos pensar em reduzir o número de veículos individuais nas vias públicas.

Desta maneira estaremos criando melhores condições para o desenvolvimento de deslocamentos seguros para pedestres e por bicicletas. Poderá haver também mais condições para a construção de vias e ciclovias protegidas. Incutir uma cultura de respeito aos pedestres e ciclistas me parece também uma medida importante para incentivar esse tipo de locomoção.  

A redução das mortes no trânsito e nas estradas está relacionada à presença de melhores condições das pistas, dos transportes, do trabalho dos condutores, de maior conscientização no sentido de maior respeito aos pedestres e outros transportes alternativos, além de uma legislação mais rigorosa com os infratores. Vejo também como fundamental o investimento maior na educação para o trânsito. São essas as medidas que penso para atender á melhoria dos transportes alternativos, incluindo a bicicleta.”

 


 

Guilherme Boulos

“Incentivar deslocamentos por bicicleta e a pé nas cidades brasileiras?

A política de mobilidade urbana é de responsabilidade dos governos locais, conforme a Constituição de 88. Ainda assim, historicamente, o governo federal assumiu importante papel na formulação e financiamento de projetos para essa área, o que culminou na criação do Ministério das Cidades e na Política Nacional de Mobilidade Urbana. Valorizar os meios de transporte não motorizados está entre as diretrizes desse plano, mas infelizmente, a União ainda não assumiu essa responsabilidade e isso está entre nossas principais metas.

Em primeiro lugar, é necessário garantir as condições adequadas e favoráveis para pedestres e ciclistas. Vamos providenciar recursos suficientes e de forma continuada para investimentos em infraestrutura nos municípios a fim de criar espaços exclusivos nas vias públicas para os modos de transporte não motorizados e transporte público coletivo.

Mas, nas cidades médias e grandes, onde boa parte da população precisa fazer deslocamentos extensos, será necessário também investir em mecanismos de integração dos diversos modais, de modo a incluir a bicicleta, que hoje, por exemplo, é proibida em meios de transporte coletivo em horários de pico.

Também vamos implementar uma política industrial com financiamento do BNDES e apoio da FINEP, para o desenvolvimento de pesquisa e implantação de indústria nacional voltada para o transporte coletivo urbano, que possa impulsionar a melhoria e a redução de custo de veículos e equipamentos, entre eles as bicicletas comuns e elétricas, estações e tecnologias de compartilhamento de bicicletas.

Investir em meios de transporte mais eficientes e menos poluentes e em um ordenamento espacial nas cidades que dê condições a formas não motorizadas de transporte é o caminho para melhorar a qualidade de vida da população.

Mas, isso implica também em pensar a questão dos ciclistas e pedestres de forma mais ampla, em sua articulação com outras modalidades de transporte coletivo e com o problema da moradia. A expulsão da população de baixa renda para as periferias e a segregação espacial de usos residenciais e da oferta de empregos e serviços obriga as pessoas a realizar cotidianamente deslocamentos cada vez mais extensos, em um sistema viário congestionado. É preciso trazer as pessoas de volta ao centro e criar mais oportunidades de emprego nos bairros periféricos.

Só assim será possível realizar uma mudança estrutural no modelo de desenvolvimento urbano.

– Reduzir as mortes no trânsito de cidades e rodovias brasileiras, especialmente de ciclistas e pedestres?

Existem três medidas a serem tomadas para a promoção da segurança de ciclistas e pedestres. O governo federal deve garantir investimento contínuo para infraestrutura adequada para pedestres e ciclistas com a criação de áreas exclusivas para o transporte não motorizado nas vias públicas. Também, com financiamento do BNDES e apoio da FINEP, vamos investir em sistemas inovadores de sinalização, informação, cartografia e design desses modais. Por último, temos o compromisso de incentivar os governos municipais a adotarem medidas preventivas recomendadas, como campanhas de informação e de redução de velocidades nas vias.”

 

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